Intitulado como Vida em Branco, o texto de Duncan enfatiza como as produções artísticas estão presentes na vida das pessoas: “Você não precisa de artistas? Então me devolve os momentos bons. Os versos roubados de nós. As cores do seu caminho. Arranca o rádio do seu carro, destrói a caixa de som”. “Joga fora os instrumentos e todos aqueles quadros, deixa as paredes em branco, assim como a sua cabeça. Seu cérebro cimento, silêncio, cheio de ódio. Armas para dormir, nenhuma canção de ninar, e suas crianças em guarda, esperando a hora incerta para mandar ou receber rajadas”, continua.

“Você não precisa de artistas? Então fecha os olhos, mora no breu. Esquece o que a arte te deu, finge que não te deu nada. Nenhum som, nenhuma cor, nenhuma flor na sua blusa. Nem Van Gogh, nem Tom Jobim, nem Gonzaga, nem Diadorim”, diz. “Você vai rimar com números. Vai dormir com raiva, e acordar sem sonhos, sem nada. E esse vazio no seu peito não tem refrão para dar jeito, não tem balé para bailar”, enuncia.

“Você não precisa de artistas? Então nos perca de vista. Nos deixe de fora desse seu mundo perverso, sem graça, sem alma. Bom dia para quem tem alma”, encerra a cantora.

No vídeo completo no Instagram, Zélia Duncan explica ainda o contexto das palavras que viralizaram na rede social. A compositora conta que o texto foi escrito no período das eleições presidenciais de 2018, e tinha sido elaborado, inicialmente, para uma revista eletrônica organizada por Gabriel Póvoas, filho da cantora Daniela Mercury.

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ZD Zóionozóio

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“Os que tem um pouquinho de sensibilidade e inteligência ficam constrangidos, né? Os outros não, porque não pensam, não leem, não fazem nada, só sabem xingar, pegam frases feitas e jogam no mundo. Não contribuem em nada para o mundo, pelo contrário, fazem tudo piorar. Disseminam essa falta de pensamento, elegem gente que detesta o pensamento, essas coisas que a gente já sabe”, afirma a cantora.

“Eu vi a frase de um cara falando para um artista, não me lembro mais quem era, mas era alguém muito bacana, falando coisas bonitas, sem atacar ninguém. O cara disse assim: ‘A gente não precisa de vocês. A gente precisa de médicos, advogados, arquitetos. Mas a gente não precisa de artista para nada’”, relata. “Primeiro que não é verdade, e segundo que eu acho que a pessoa verbalizar isso é tão oco”, continua.

A compositora afirma ainda que esse tipo de sentimento é motivado por “despeito, inveja de quem consegue fazer, e de quem consegue ser feliz ouvindo uma música, indo para o teatro, vendo dança, vendo pintura, todo tipo de arte” “Isso me chocou muito, mais do que os xingamentos. Por que os xingamentos chega uma hora que ficam vazios. Vai me chamar de ‘sapatão’, por exemplo? Isso é uma honra”, completa.

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